PROIBIDO COMENTÁRIOS ANÔNIMOS

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

(HISTÓRIA E CULTURA) A primeira vitória dos últimos Paiacus

Ano de 2013, mês de fevereiro, quando recebi convite para fazer parte como sócio fundadora de uma associação denominada Centro Histórico Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi (CHCTPLA). Naquele momento não tinha ideia do que se tratava, apenas que era uma organização para o resgate da história dos Tapuias Paiacus. 


Índia Tapuia Lúcia Tavares


Eu já conhecia Lúcia Tavares desde criança, já sabia que ela também tinha um relato familiar de "descendência" indígena, igual a mim, pois eu sempre soube, através de relatos do meu pai, de pessoas mais velhas que viviam na comunidade Bico Torto e de demais familiares que tínhamos genealogia pertencente aos índios que habitavam a antiga Ribeira do Apodi. Fui à reunião de fundação, dia 09 de fevereiro de 2013, momento em que foi lido o Estatuto da entidade que se pretendia. No final, após alguns poucos ajustes, a ONG estava fundada. 

A partir desse momento comecei a conhecer a história de Lúcia e a também me interessar pelo resgate da história dos índios Tapuias Paiacus, nome que era constantemente falado em determinados momentos em que se relatava a história de Apodi, mas sem muita precisão sobre o que representava esse povo para a nossa terra. Foi a partir de Lúcia que fui instigada a pesquisar, ler, fichar livros, artigos, teses de Doutoramento, Dissertações de Mestrado que falam da história dos tapuias Brasil à fora, no Nordeste e em especial no sertão do Rio Grande do Norte. 

Entre todos os aparatos históricos, os mais importantes são os documentos antigos: cartas que informam à coroa portuguesa acerca do povo tapuia em Apodi e que deixam bem claro a presença marcante desta etnia e dos massacres por ela sofridos a fim de seu extermínio, o que não ocorreu como muitos imaginam, pois se fosse verdade tal fato, não teríamos hoje um número de mais de 50 famílias vinculadas ao CHCTPLA, cada uma com seu relato familiar de pertencimento genecológico ao grupo indígena Tarairiu, que foi chamado pelos portugueses de Tapuias por motivo da variação linguística Tupi Guarani.

Pois bem, desde 2013 que a autoafirmada índia tapuia Lúcia Maria Tavares,  seus familiares e as demais famílias do CHCTPLA lutam por espaço social e reconhecimento histórico através dessa associação, que não tem fins lucrativos, que nunca recebeu qualquer valor, nem do governo federal, nem estadual e nem municipal. Nem mesmo mensalidade de seus associados é cobrada. Para participar de eventos como congressos, conferências e seminários os valores gastos são das próprias finanças de Lúcia e de quem vai com ela ou com a ajuda de amigos e colaboradores do Centro Histórico. MENTE quem dissemina comentários dizendo que a associação dos indígenas de Apodi e o Museu Luiza Cantofa recebe dinheiro de algum órgão. O que sempre existiu foi uma forte luta, travada em alguns momentos contra o próprio poder público, que muitas vezes negou valores irrisórios quando a entidade precisou durante todo esse tempo. 


Lúcia Tavares e seu neto Guilherme,
recebendo das mãos do prefeito Alan Silveira documento de cessão
para funcionamento do Museu Luíza Cantofa. 

A primeira vitória foi registrada no dia 22 de junho de 2017, nesta quinta-feira, quando Lúcia Tavares recebe do prefeito de Apodi, Alan Silveira, a cessão de um prédio localizado às margens da Lagoa do Apodi, território onde era fixada a antiga aldeia Paiacu. 

Agora, a continuidade da luta dos últimos paiacus pela organização de um local que possa servir como marco de preservação da história é a reforma do referido prédio, pois sabemos o quanto há de dificuldade para tal feito. No entanto, este objetivo será perseguido até que se tenha resposta positiva, até que alguém se sensibilize e os recursos apareçam e possam ser usados para uma obra que ao mesmo tempo é histórica, cultural e turística. Certamente trará grandes contribuições para a identidade e o desenvolvimento do município. 


Por Mônica Freitas 



sábado, 20 de maio de 2017

A CARA DO BRASIL: um ponto além do militante político-partidário


Fonte: http://sitenossajanela.com.br

Exatamente no ano de 1988, quando era promulgada a Constituição Federal que hoje está em vigor, o músico, compositor e hoje considerado poeta Agenor de Miranda Araújo Neto, O CAZUZA, lançava seu álbum intitulado IDEOLOGIA. Ali estavam muitas letras que viriam a ser sucesso no estilo Rock, que era o seu preferido e da maioria da juventude brasileira na época, formada por grupos que apreciavam a introdução das temáticas sociais na música. Uma juventude que usava como recurso as artes e a rua para debater os problemas reais. 

Pois bem, neste álbum gravado por Cazuza estava a música "Brasil", com uma letra bastante característica ao perfil da juventude daquele final de década. Um trecho desta música para relembrar: 

"Brasil

Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim"

(CAZUZA).

Pois bem! Há 29 anos já havia jovens que pediam para que o Brasil mostrasse a sua cara. E o restante do texto da música deixa bem clara a ideia de que já haviam "negócios sujos" sendo realizados. Mas, às escondidas. Faltavam apenas ser estampados à população. De uma coisa temos que não ter dúvidas: os jovens da época, apesar de terem também seus defeitos, pareciam caminhar em um horizonte mais amplo. Eles enxergavam por trás das telas e iam às ruas cantar os seus desejos democráticos. Não queremos deixar aqui o registro de uma comparação nefasta ao jovem de hoje, mas refletir sobre o campo ideológico seguido no ontem e o no do hoje. 

Tantos fatos políticos ocorreram. A ala da esquerda, que naquela época participava ativamente dos movimentos chegou ao poder. Porém, com ressalvas. Não podemos esquecer as tão famosas ALIANÇAS, que foram pontuais para se perceber a continuidade do "negócio" que era citado na música "Brasil". Em suma, continuaram com os mesmos "sócios". Hoje, é possível assistir nas telas de TV, ao ler em jornais e em redes sociais, bem como nas páginas de toda a grande imprensa nacional "A CARA DO BRASIL" sendo mostrada. 

Não é bonita, nem saudável, nem boa. É apenas o resultado do "negócio" que lá em 1988 estava sendo indagado por Cazuza em sua música, que naquele momento representava a nossa juventude que ali tinha-se em mente, lutava além do ponto militante político-partidário. 

Ora, se naquele momento necessitávamos disso, hoje mais que nunca precisamos de uma juventude que milite além do herói, além do partido, além de suas convenções. PRECISAMOS LUTAR POR TODOS. 

Porque o "negócio" já está muito bem caracterizado,. A cara do Brasil já foi e está sendo mostrada. Precisamos reformá-la, reinventá-la, fazê-la nova. Eliminar os sócios da "corrupção". E o tal "negócio" precisa mesmo é ser ANIQUILADO. E isto não somente pode ser feito através da troca de um partido por outro. TODO CUIDADO É POUCO para o cidadão!

Por Mônica Freitas

Apodi tem delegação eleita para participar da 1ª Conferência Estadual de Saúde da Mulher

Nesta sexta-feira 20 de maio foi realizada a Conferência Estadual de Saúde da Mulher, a primeira em âmbito regional no Estado do Rio Grande do Norte. O tema “Saúde das Mulheres: Desafios para a Integralidade na Equidade, foi debatido no âmbito municipal em uma plenária que ocorreu dia 08 de maio de 2017, e no dia 19 do mesmo mês e ano regionalmente na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) em Mossoró. Em âmbito nacional, será a  2º Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, prevista para ocorrer no mês de agosto de 2017.

A Conferência Regional de Saúde da Mulher contou com a presença de prefeitos e secretários de 14 municípios, dentre os quais o Secretário de Saúde de Apodi, representantes da Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESAP), dos Conselhos Municipais de Saúde e de usuários. Além de representantes do Ministério Público (MP), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Câmara Municipal de Mossoró (CMM).

O município de Apodi participou com uma deleção de 08 mulheres, sendo estas, representantes de usuárias do SUS e de Órgãos do Governo Municipal e Estadual como Secretaria Municipal da Mulher e da Igualdade Racial, do Conselho Municipal de Saúde de Apodi e ONGs como GASPEC e Associação de Pessoas com Deficiência. 06 das 08 mulheres que participaram da delegação de Apodi foram eleitas para participar da etapa estadual. 


Delegação Eleita

Da delegação de Apodi participam:

Do segmento de Gestão Municipal - Valdênica Crystina Farias de Morais

Do segmento de Usuárias - Maria Regina Duarte Marinho
                                             Antonia Gilvana Mota Souza
                                             Maria Edna de Souza Freire
                                             Paula Beatriz de Morais Arcanjo Lima
                                             Nêmora Martins Tavares

A I Conferência Estadual de Saúde das Mulheres acontece em Natal, de 12 a 14 de junho, e terá como objetivo propor diretrizes para a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres. do Rio Grande do Norte.

Por Mônica Freitas  

quarta-feira, 10 de maio de 2017

(VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER) Será mesmo repetitivo o resgate dos valores maternais e familiares?

Foto adaptada do Site http://www.tvcidadesbt.com.br. 


A imagem está distorcida, mais parece uma obra de arte, mas se trata do corpo de uma mulher, assassinada pelo próprio filho, com golpes de facão.

4.762 assassinatos de mulheres foram registrados no ano de 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex, quase 20% inclui também as mortes por outros membros da família, como filhos e filhas. Essas quase 5 mil mortes representam 13 homicídios femininos diários naquele ano e colocam o Brasil no 5º lugar no ranking mundial.

Dados sobre a violência sexual: 89% das vítimas são do sexo feminino e em geral têm baixa escolaridade. Desses 89%, 70% são crianças e adolescentes. Em metade das ocorrências envolvendo crianças, há um histórico de estupros anteriores. 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima e até pelos pais (SER PAI TAMBÉM É UM CONHEICMENTO ÓBVIO).

Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR) em 2015 revela que 70% da população brasileira, por presenciar os atos de violência contra a mulher dizem que ela sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos de todo o país. Isso indica que a maioria da nossa população já começa a se preocupar com os fatos (MAS TEM UMA MINORIA EM APODI QUE NÃO).

Na pesquisa acima, 7 em cada 10 entrevistados (brasileiros) consideram que as brasileiras sofrem mais violência dentro de casa do que em espaços públicos, metade avalia ainda que as mulheres se sentem de fato mais inseguras dentro da própria casa. Os dados revelam que o problema está presente no cotidiano da maior parte dos brasileiros: entre os entrevistados, de ambos os sexos e todas as classes sociais, isto porque 54% conhecem uma mulher que já foi agredida por um parceiro e 56% conhecem um homem que já agrediu uma parceira. E 69% afirmaram acreditar que a violência contra a mulher não ocorre apenas em famílias pobres.

Dados da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

O serviço telefônico Ligue 180 realizou 749.024 atendimentos em 2015. Desse total, 41,09% corresponderam à prestação de informações; 9,56%, a encaminhamentos para serviços especializados de atendimento à mulher; 38,54%, a encaminhamentos para outros serviços de tele atendimento (190/Polícia Militar, 197/Polícia Civil, Disque 100/SDH).

Em comparação a 2014, houve aumento de:
44,74% no número de relatos de violência
325% de cárcere privado (média de 11,8/dia)
129% de violência sexual (média de 9,53/dia)
151% de tráfico de pessoas (média de 29/mês).

Cem por cento das brasileiras sabem da existência da Lei Maria da Penha (UM CONHECIMENTO ÓBVIO)

Desde 2009 o Senado pergunta às entrevistadas se já ouviram falar da Lei Maria da Penha e sempre registra um elevado percentual de conhecimento sobre a existência da Lei: em 2011 eram 98%, e em 2013, 99%. Em 2015, praticamente 100% das entrevistadas declararam saber da Lei. Perguntadas, uma em cada cinco mulheres declara já ter sofrido algum tipo de violência; dessas, 26% ainda convivem com o agressor.
Nós acreditamos que 100% de todas as mulheres e homens brasileiros também sabem que NASCEMOS DE UMA MULHER. Dado idêntico.

Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado – Pesquisa ralizada pela Fundação Perseu Abramo (FPA/SESC, 2010)

– Cinco mulheres são espancadas a cada 2 minutos no país; 91% dos homens dizem considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação”. (MAIS UM DADO QUE REVELA UM CONHECIMENTO ÓBVIO).
– Uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”.
– O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados.
– Cerca de Seis em cada sete mulheres (84%) e homens (85%) já ouviram falar da Lei Maria da Penha e cerca de quatro em cada cinco (78% e 80% respectivamente) têm uma percepção positiva da mesma.
Questionamento: TODO ESSE CONHECIMENTO, MAS AINDA SÃO ELEVADOS, TODOS OS NÚMEROS RELACIONADOS COM A VIOLÊNCIA. Por quê?

Sem contar que há ainda a violência de gênero, aquela que a mulher se depara com certas “barreiras” somente por ser mulher. Um dos efeitos desta é a influência no salário da mulher e em sua capacidade de manter um emprego.
Vários estudos apontam que os custos sociais e econômicos da violência contra as mulheres são enormes e têm efeito cascata em toda a sociedade. As mulheres podem sofrer vários tipos de incapacidade – passageira ou não – para o trabalho, perda de salários, isolamento, falta de participação nas atividades regulares e limitada capacidade de cuidar de si própria, dos filhos e de outros membros da família (Do Site Compromisso e Atitude: Lei Maria da Penha).

Os dados aqui expostos não apenas revelam quantidades, mas a qualidade dos valores que a família, a mulher, o homem e a sociedade preservam. O simples conhecimento de que SOMOS FILHOS DE UMA MULHER, parece não ser suficiente ou parece ser ESQUECIDO no momento de se praticar qualquer ato de violência. Acreditamos ainda que este fato NÃO É VALORIZADO. E a maior prova disso, é quando assistimos, em rede social, UMA MULHER, usar uma postagem que incentiva a valorização de sentimentos MATERNAIS, para chacotear esse incentivo por pura POLITICAGEM. Sim, só para demonstrar (não sei para quem) que tem uma concepção totalmente oposta a qualquer que seja a ação de uma dada gestão pública. E nem falo dos profissionais do Direito, que também usam da mesma tática.


A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER TAMBÉM É UM CONHECIMENTO ÓBVIO

“A violência contra a mulher não é um fato novo. Pelo contrário, é tão antigo quanto a humanidade. O que é novo, e muito recente, é a preocupação com a superação dessa violência como condição necessária para a construção de nossa humanidade” (BRASIL, Mapa da Violência – Homicídios de Mulheres no Brasil, 2015).

Essa é a realidade. Guardamos muitos conhecimentos ÓBVIOS, precisamos mesmo é de aprender a usá-los. É deveras importante RECONHECER que nascemos de uma mulher. Este saber nunca é REPETITIVO em lugar nenhum, e mais ainda em uma sociedade que ainda não o valoriza, muito menos o usa.

Maior parte dos dados extraídos do Mapa da Violência (2015)
Outros dados do Site Compromisso e Atitude – Lei Maria da Penha

Alguns casos: 
Caso 1
Caso 2
Caso 3
Caso 4
Caso 5
Caso 6

Nota: são somente alguns casos, e todos sabiam que eram filhos de uma mulher. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Famílias indígenas de Apodi são vacinadas contra a gripe


Pela primeira vez, durante os 04 anos de existência do Centro Histórico Cultural Tapuias Paiacus da Lagoa do Apodi (CHCTPLA), as 50 famílias indígenas que fazem parte desta associação foram contempladas com o Direito à Vacinação contra Gripe. A vacinação foi inciada hoje, terça-feira, 25 de maio de 2017, momento em que mais de 50 indígenas, entre idosos, jovens, adultos e crianças forma vacinados por uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde. 

Aqueles indígenas que não puderam vir até o Museu do Índio nesta tarde para vacinar-se, fomos avisados pela equipe que podem, a partir de amanhã procurar o Centro de Saúde (antigo SESP), para receber a vacinação.





Grupos indígenas são contemplados com o direito à vacinação por pertencerem a grupos tradicionais da formação étnica do Brasil. Os apodienses pertencem à Tribo Tarairiu, conhecida popularmente por Tapuia, que no Rio Grande do Norte se subdivide em vários grupos: Payns, Janduy, Monxorós, Kanindés, Icós, Paiacus e outros. Em Apodi a denominação é Tapuia Paiacu. Os indígenas estão associados em uma entidade filantrópica que, após reunir cerca de 50 famílias que se autoafirmam por meio de relatos genealógicos tentam resgatar a história e seus direitos enquanto primeiros habitantes da região. 


Por Mônica Freitas 

domingo, 23 de abril de 2017

(SAÚDE FEMININA) ATENÇÃO ÀS DST EM MULHERES

Várias são as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) que as mulheres podem contrair e muitas vezes nem saber que estão doentes. Isto porque, a manifestação dessas doenças em mulheres, na maioria das vezes fica inibida, devido a estrutura do aparelho reprodutor feminino. Por isso é importante saber quais são as características de cada uma, a fim de serem melhor reconhecidas. 

Vejamos nos quadros, como se caracterizam as DST mais comuns em homens e mulheres no Brasil. 


Quadro extraído do artigo de autoria de Wilza Vieira Villela e Valdir Monteiro Pinto.
(Clique na imagem para ampliar) 

Precisamos reconhecer cada doença, para poder lutar pela nossa saúde sexual. Elas não podem ficar sentadas no lugar de prima pobre, diante do privilégio que se tem dado às demais doenças que acometem as mulheres, analisam os autores do quadro. 


Escrito por Mônica Freitas 

(POESIA) Leve Lê




Sem nem tocar a glote para emitir qualquer som
Assim faz-me o pensamento do leve lê
Os olhos da mente se abrem mais que os do rosto
As pálpebras se arreganham como pernas e quedas feias 
Esconde-se o espaço entre pestanas e sobrancelhas 
É a minha forma de observar, de sem falar, vê


É uma astuta leveza do ser que não quer zoar 
E com o som da voz incomodar e incomodar-se
Mas isso não lhe impede da vida perceber 
De ver o brilho que muitos imaginam ter
Se esvair no conto da imaginação do seu falar 
E assim prosseguir, continuar sem visualizar-se

O leve lê é aprendido ao longo do tempo infinito
É traçado como se fosse uma (des) percepção 
Vivificado pela leitura de mundo, mediado pela frieza
É acordado pela batida pesada das revoltadas palavras 
Em um momento que permanece só as farpas do atrito
Que mancham a alma, o corpo, a vida e seu coração. 

O leve lê sem fala escuta, fala em tom silenciado
Corre, pensa, planeja, se cala, se faz de santo
Parece aguentar os fortes beijos do ódio
Da ambição, da luxúria, da inveja, do poder
Não cede, permanece de beleza interior inebriado 
Sem jogar ao léu as pedras preciosas do seu encanto.


Mônica Freitas 


sábado, 22 de abril de 2017

FALECE DR. MILTON MARQUES




Foto extraída do Mossoró Hoje. 


Acabo de receber a notícia do falecimento do Dr. Milton Marques de Medeiros, médico, ex-reitor da UERN e proprietário do Sistema Oeste de Comunicação, que inclui a TCM e a Rádio Vale do Apodi.

Há dias que foi divulgada a notícia de que o referido médico estava internado na UTI do Hospital Monte Klinikum em Fortaleza, acometido de uma infecção misteriosa.

Esperemos a confirmação de como tudo ocorreu.


terça-feira, 18 de abril de 2017

(POETANDO) Gênese Tapuya


Antes do começo estavam ali:
Aquele silêncio vivo, entoado de cantos naturais
Aquelas águas tão lindas, tão maternas
De ares tão perfumados, de ventos que já não são iguais
Aquelas meninas, mulheres e moças primevas
E os homens, que tanto andavam? Os nossos originais?

Como disse o historiador
“Que o silencio e a paz reinavam às margens do Itaú
Que para cima e para baixo andava e ali vivia
Aquele povo valente que tinha o corpo nu
Que corria da chapada para as margens da lagoa
Um povo denominado de Tapuia Paiacu"

Dessa tribo que na verdade era a Tarairiú
Nascemos e demos origem ao nome Apodi
Não fomos tão resistentes como foram os do Norte
Pois nossa flora tão rala, não nos permitiu fugir
Mas mesmo com a mistura, ainda estamos aqui.

Nós somos filhos da terra, nós somos filhos da luta
Dentro de uma história que tentou nos encobrir
Somos da raça tapuia, que o Nordeste habitou
Somos os primeiros povos, que pisou no Apodi
E nossa terra, nossa gente ainda vive aqui.

Mônica Freitas

terça-feira, 4 de abril de 2017

(GESTÃO) Prefeitura Municipal de Apodi, através da Secretaria da Mulher e da Igualdade Racial consegue atender cerca de 1.500 mulheres




Apodi é um município que tem a população feminina em número maior do que a masculina. Segundo o IBGE, dados do Censo 2010, temos uma população formada por 50.02% de mulheres e 49.98% de homens. Pois bem, pensando na população feminina, a Secretaria Municipal da Mulher e da Igualdade Racial realizou diversas atividades durante o mês de março e conseguiu atingir cerca de 1.500 mulheres com as ações. 

Asa atividades contemplaram homenagens que são pertinentes ao Mês da Mulher, devido à data de 08 de março ser comemorado o Dia Internacional da Mulher. 

A campanha denominada de Março Lilás, trabalhando o tema A MULHER TRANSFORMANDO ESCOLHAS, trabalhou o mês inteiro com atividades como: palestras, eventos culturais e disponibilidade de assistência à saúde integral da mulher, bem como atendimento jurídico, para aquelas que necessitavam de orientação. 

Como o órgão está trabalhando sem orçamento, pelo fato de ter sido desativado na última gestão, tudo foi planejado para a realização de um trabalho por parcerias. Alguns outros órgãos da gestão municipal foram parceiros: Secretaria de Promoção e Assistência Social, Secretaria de Educação e Cultura, Secretaria de Esporte e lazer e Secretaria de Saúde. Além disso, a ONG GASPEC e também o órgão de Controle das políticas para as mulheres o Conselho Municipal de Direitos das Mulheres (CMDM) também formaram parcerias para a realização das atividades.  

A palestra proferida pela advogada Amélia Freire, por exemplo, foi articulada pelo CMDM. 

Foi realizado o evento de reativação a secretaria e também em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, 05 palestras e, quanto à assistência à saúde integral: 100 exames preventivos conseguidos pelo GASPEC com o SESI em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria da Mulher; 60 consultas médicas, 30 atendimentos com nutricionista, 30 atendimentos odontológicos, 10 atendimentos psicológicos, 10 atendimentos jurídicos. 

Por Mônica Freitas 

domingo, 2 de abril de 2017

(EDUCAÇÃO, CULTURA E LITERATURA) Terra Brasilis


Mais um texto que faz parte do resultado de um trabalho realizado em sala de aula, durante o processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa e suas Literaturas. A sequência didática teve início com a apresentação de seminários de leitura de textos literários por turmas de 1º Ano do Ensino Médio do Instituto Federal de Educação e Tecnologia - Campus Mossoró/RN, abrangendo, desde a literatura trovadoresca à Árcádia Brasileira. Na sequência, elegemos a temática da Literatura de Viajantes e de Catequese para a realização de um debate (como atividade de produção oral) e um texto em forma de artigo, nos quais fossem defendidas teses acerca dos efeitos da Colonização no Brasil. Os alunos teriam que deixar claros resultados para o colonizador ou o colonizado. Tudo com base na leitura de textos literários. 

Os melhores textos, prometi postá-los aqui no blog. Eis aí o segundo texto escolhido como um dos melhores:


Pedro Duarte Costa 

TERRA BRASILIS


Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico, tem vista pro mar
A Amazônia é o jardim do quintal!
[...]
Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
É tudo Free,
Tá na hora agora é Free,
Vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar”


Os trechos acima pertencem a canção “Aluga-se” do célebre cantor Raul Seixas, que define (de forma irônica) um período da história do do nosso país que nos definiu enquanto nação e sociedade: a colonização. No período das Grandes Navegações, Portugal e Espanha despontavam como potências marítimas, lançando diversas empreitadas ao mar e conquistando territórios por todo o globo, notadamente a América, único continente que ainda não estava integrado ao “mundo conhecido”. Liderados por Pedro Álvares Cabral, os primeiros europeus desembarcaram no nosso país no ano de 1500 e assim se iniciou o processo de colonização do nosso país, perdurando por mais de 300 anos, influenciando até hoje o modo como vivemos e a realidade da nação.

 Inicialmente pouco relevante para a metrópole, a colônia brasileira ganhou importância após a perda do monopólio português sobre as especiarias indianas, iniciando assim um efetivo controle sobre o território que hoje forma o Brasil, com a criação do Governo Geral e a implantação do modelo de produção plantation. Ficou claro que Portugal visava sua colônia como fornecedora de matérias-primas, como é observado na exploração do Pau-Brasil, primeira degradação ambiental do país que devastou a Mata Atlântica, um rico e diverso bioma que hoje possui apenas 7% da área original. A cana-de-açúcar foi um dos sustentáculos da economia colonial do século XVI, definindo a afirmação do modelo latifundiário que até hoje predomina no setor primário e que é a base do agronegócio nacional: extensas propriedades de terra tendo uma única cultura cultivada sob o mando de poucas famílias, objetivando a importação, em detrimento de pequenos agricultores, que sofrem com a falta de infraestrutura, incentivos governamentais e com a concorrência das grandes empresas, além dos inúmeros trabalhadores que lutam pelo direito à terra.

 A centralização do poder e a existência do pacto colonial levaram a um retardamento do progresso econômico brasileiro: a indústria, proibida pelo governo português, só foi implantada no século XIX e se consolidou no século XX; a agricultura foi durante a maior parte da história do país a base da economia, tornando a macroeconomia sensível aos mercados externos e as crises climáticas e condições naturais; os produtos manufaturados só podiam ser importados da metrópole sob uma carga de tributos altíssimo. A descoberta do ouro e outros minerais preciosos no século XVII serviu apenas aos interesses da monarquia, não trazendo nenhum benefício para as regiões mineradoras.

 Uma das mais graves consequências da sangrenta colonização foi o extermínio dos povos indígenas e o desaparecimento da cultura nativa. Os portugueses em um primeiro momento iniciaram a sua escravização, levando milhares as mortes devido a mudança abrupta no seu estilo de vida e brutalidade dos europeus que possuíam tecnologia militar mais avançada não hesitando em realizar massacres. As transmissões de doenças oriundas da Europa também contribuiu para a dizimação dos povos nativos, que foram submetidos as hostilidades europeias como o fato de mulheres indígenas terem se tornados concubinas e submetidas à estupros. Mesmo contando com a proteção da Igreja, que era uma ferrenha adversária da escravização indígena (como se observa na ação da poderosa Companhia de Jesus), os indígenas viram sua cultura desaparecer pois os missionários exigiam uma conversão total, renegando as tradições, práticas e costumes dos chamados “gentios”, forçando-os a adotarem o cristianismo e o estilo de vida dos povos da Europa. Estima-se que no período pré-Cabral existiam mais de 5 a 10 milhões de índios que falavam mais de 1500 línguas. Hoje restam apenas cerca 800 mil brasileiros que se declaram índios e pouco mais de 300 idiomas nativos, uma verdadeira catástrofe socio-cultural. Esse tratamento dado aos índios até hoje influenciam uma cultura preconceituosa e estereotipada, sendo que muitos negam o legado indígena e sua contribuição para a formação da nação brasileira.

 Uma das características mais brutais da colonização da portuguesa foi a escravização dos africanos. A resistência indígena e os protestos da Igreja levaram a Coroa a recorrer uma mão-de-obra muito mais produtiva e lucrativa: o negro africano. Milhões cruzaram o Atlântico e foram submetidos as mais vis condições, eram tratados como objetos: eram vendidos, castigados, estuprados, etc. A economia baseada na escravidão foi um baluarte do país até o final do século XIX e somente na década de 1940 é que se estabeleceu a mão de obra livre e assalariada, base de uma economia moderna. A escravidão deixou traços que até hoje marcam a sociedade brasileira: o preconceito racial e exclusão dos negros é uma grave problema que o Brasil ainda enfrenta. Joaquim Nabuco afirmou que, mesmo depois da Abolição, “a escravidão permanecerá durante muito tempo como característica nacional do país”.

 O modelo lusitano de colônia de exploração resultou em um Estado burocratizado e pouco funcional que hoje é um verdadeiro tormento na vida dos cidadãos. Sua letargia em responder aos problema sociais, políticos e econômicos gerou a grave situação social presente no nosso país. O Estado brasileiro já foi descrito como “cliente das elites” devido o seu domínio pertencer as mais importantes classes brasileiras: branca e rica. Um restrito número de pessoas possuem a maior parta da riqueza e controlam a educação, extremamente defasada e subserviente aos seus interesses (forma mão de obra barata e servil), a mídia (parcial e alienadora), política (oligárquica e corporativista, propiciando o surgimento da corrupção) e as leis (branda com os poderosos e rígida com os pobres). A inércia dos governantes reflete na triste realidade social que impera pelo Brasil, produzindo assim altos índices de violência e péssimos serviços públicos.

 Por fim, constata-se que a colonização do Brasil por Portugal, exploradora, sangrenta e brutal, resultou em uma série de consequências que persistem até atualidade. Um verdadeira violação do mais fundamental, humano e natural dos direitos: a liberdade e a autodeterminação, como bem expressou o estadista norte-americano Thomas Jefferson na Declaração de Independência dos Estados Unidos:

“Todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes são vida, liberdade e busca da felicidade”.


PEDRO DUARTE COSTA é aluno do curso de Eletrotécnica do IFRN - Campus Mossoró/ RN


quinta-feira, 30 de março de 2017

(EDUCAÇÃO, CULTURA E LITERATURA) Calados, permanecem morrendo

EXPLICANDO A POSTAGEM


Este texto faz parte do resultado de um trabalho realizado em sala de aula, durante o processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa e suas Literaturas. A sequência didática teve início com a apresentação de seminários de leitura de textos literários por turmas de 1º Ano do Ensino Médio do Instituto Federal de Educação e Tecnologia - Campus Mossoró/RN, abrangendo, desde a literatura trovadoresca à Árcádia Brasileira. Na sequência,  elegemos a temática da Literatura de Viajantes e de Catequese para a realização de um debate (como atividade de produção oral) e um texto em forma de artigo, nos quais fossem defendidas teses acerca dos efeitos da Colonização no Brasil. Os alunos teriam que deixar claros resultados para o colonizador ou o colonizado. Tudo com base na leitura de textos literários. Os melhores textos, prometi postá-los aqui no blog. 


Nicolas Gustavo - Foto do Facebook. 


O primeiro deles é este, escrito por Nicolas Gustavo.


Brás Cubas, o defunto autor de machado de Assis, escreveu em suas memórias póstumas, que não teve filhos, não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Possivelmente veria acertada sua decisão ao analisar o extermínio voraz dos nativos de nossa pátria amada, por europeus “superiores”, encabeçando a aplicação do errôneo direito de privar outros de sua cultura, de seu território e de sua vida.

É notório observar, em primeiro lugar, o processo de aculturação indígena. Impulsionados pela necessidade e perspectiva de soberania das raízes culturais europeias, principalmente no que diz respeito a religião católica, os autodenominados “civilizados” desenvolveram a introdução de uma constituição social, onde já se havia construída uma. Assim, não se derrubou apenas corpos, mas também uma cultura rica, diversificada e suficiente.  

Além disso, o fator da violência no ato da colonização é de extrema importância nessa análise. Hediondamente, os portugueses colonizadores dizimaram milhares de nativos de nossa terra, com armas de fogo disparadas pelo discurso nefasto eurocentrista. Contudo, a agressão mais comum e menos debatida se concentra no silenciamento das vozes indígenas reivindicadoras de direitos, por “colonizadores modernos” anônimos para o mundo e pelo Estado omisso e negligente. Calados, permanecem morrendo: física e socialmente.

Fica claro, portanto, o caráter pernicioso da colonização, que mantém marcas profundas até hoje. Negar aos nativos voz, terra e identidade deve passar a ser uma prática inexistente em um país que se diz democrático. Para isso, o governo deve desenvolver polícias permanentes de apoio social à população indígena, agregando as suas reivindicações e, dessarte, cumprindo-as.  A sociedade civil como um todo necessita se integrar a luta dos índios pela sua sobrevivência, de sua cultura e de suas terras. Dessa forma, daremos um grande passo na produção de um legado que Brás Cubas pudesse se orgulhar.

Nicolas Gustavo Souza Costa
Aluno Concluinte do 1º Ano do curso técnico em Mecânica
IFRN - Campus Mossoró